terça-feira, 27 de abril de 2010

triste destino o teu, Caronte.

hoje eu percebi que estamos todos mortos... pelo menos a grande maioria de nós está. alguns poucos se encontram em dimensões paralelas, planeta x, y ou z...
também vi que os ônibus são, na verdade, os barcos de Caronte. só que nós já nos encontramos no inferno... Caronte só cobra para nos levar de um lugar para o outro. percebi também que este é como Papai Noel: ele é vários e é nenhum. muda diariamente. cada barca, um Caronte. o meu dessa manhã era negro, usava óculos e tinha cara de bom pai... sua barca estava lotada de almas, ele me cobrou R$ 2,45 e me levou até onde eu deveria ir. peguei a outra barca, com outro Caronte que eu não vi o rosto ou qualquer outro detalhe. provavelmente, ele também não reparou em mim: era só mais uma alma em sua barca. música alta era o escape. demorou um pouco, mas desembarquei. daqui a pouco, mais outra barca. outro Caronte. outro destino, o mesmo de sempre: o inferno...

pequenas constatações como essa alegram o dia de qualquer indivíduo.

5 comentários:

  1. adorei o texto, muito bom mesmo!
    parabens!

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  2. Adorei as metáforas que você usa, realmente, estranhezas de mulher...

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  3. que coisa profunda O.o
    mais uma vez nunca tinha visto desta forma... e é R$ 2,45 a passagem daqui de Porto Alegre tbm :)

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  4. storias da nossa vida...se pensarmos tudo pode ter um sentido...muito interessante seus texto...seu modo de pensar,..

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  5. o marshall iria adorar esta analogia com o mundo antigo, mostrando toda a tua erudição. Só acho que tu poderias ter usado algumas ideias do Freud, cotejando com a obra do Sartre.

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