hoje eu vou escrever para quem, provavelmente, nunca irá ler o que está escrito.
eu só queria dizer que eu te devotei o mais puro e sincero amor juvenil... e o mais engraçado é que naquela época eu não sabia disso. quer dizer, eu não sabia denominar... mas tu ficou, tu e as nossas conversas sem sentido... diálogos inteiros ensaiados, pensando como te impressionar... como parecer mais inteligente, legal, interessante... acho que eu só conseguia parecer maluca, né?! ai, mas tu - mesmo sem fazer nada ou me dizer nada - carregava tanta beleza e tristeza... me lembrava uma criança sofrida, alvo de deboche dos coleguinhas que não conseguiam perceber o quanto eras especial... e eu te amava. queria te fazer feliz de qualquer maneira, nem que para isso fosse a tua palhaça.
sabe, nunca te falei isso... e acho que tu não deve te lembrar... a primeira vez que nos vimos foi em uma viagem do trensurb indo em direção ao mercado público... eu estava acompanhada de um colega e acho que da minha irmã, tu entraste e sentou em um banco perto de nós, quieto... era um fim de tarde... o sol batia em ti e o sol que batia em ti me esquentava... foi um momento quentinho, como abraço de criança... ali eu te conheci... mesmo que só te olhando através do vidro...
muitas vezes eu fui ridícula no trato com você... mas tu queiras o que? eu era uma criança ( sei que ainda sou) brincando de conquista... e nunca soube como fazer as pessoas me amarem... se eu deveria assistir todos os filmes do mundo ou se eu deveria ser uma mini-vadia...só queria te dizer que eu ficava te esperando aparecer no parque da redenção... voltas e voltas e voltas... eu ainda te espero quando vou lá... não eu, mas a menininha que ainda há em mim...e dizer que quando nós vimos edukators no santander, mesmo que sem nos falarmos, eu vi do teu lado... nossa, como me deu vontade de te perguntar o que tu tinha achado... como eu gostava de conversar com você... quando paramos de nos falar, o sofrimento foi a minha maior companhia... nossa, doeu de verdade... uma viagem em um circular da unisinos foi a mais longa viagem de ônibus da minha vida...durante um ano, eu não fiquei com cara algum... eu sei que sou exagerada, mas foi o que aconteceu de verdade... tem até a história de um dedo quebrado em um colchão japonês, mas isso é idiota demais...
eu também queria te dizer que até hoje te associo a água e ao verde... sei por que, mas não vou me alongar nisto... e que nós só não fizemos por fantasmas meus, por coisas que eu carrego faz muito... e que tu ainda está muito bonito, mesmo estando muito diferente... já te disse que o meu pai sempre gostou de ti?
bom, hoje não há mais sentido algum em nos falarmos, é só uma cópia de dois adolescentes... podes dizer que eu não te conheci de verdade, podes achar tudo isso ridículo, podes achar coisa de doida, podes não ter sentido nada por mim... acho que é por isso que eu fujo de ti... medo de ser mais idiota do que eu penso... e sim, eu amei depois de ti... tu sabe quem é, não preciso falar sobre... mas são histórias bem diferentes... a minha vida mudou muito, a tua também... mas deve ser legal morrer sabendo que foi amado desse jeito por alguém... acho que estou muito sentimental e nostálgica com a confusão que está a minha cabeça... ou talvez este texto seja culpa do milton nascimento e do cazuza que estou escutando agora...
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