quinta-feira, 15 de abril de 2010
Não ter
É horrível não ter para onde ir. Esta era a minha situação ontem. Minha (não) entrevista para um emprego medíocre havia sido um fracasso. Logo, eu tinha muitas horas e poucas opções. Até por que o meu dinheiro era bastante escasso. Se eu tivesse dinheiro para pagar um hotel, era o que eu tinha feito. Mas eu não tinha. Não tinha muita coisa, para dizer a verdade. Rodava pelo centro, até que resolvi entrar em uma igreja. Esta era bastante esquisita, pois era gradeada e suja por fora e toda faustosa por dentro. Entrei lá por não ter o que fazer e para dar uma chance aos especialistas em salvação de almas. No interior da igreja, velhas que mais pareciam ratos amarelos se amontoavam pelos cantos. Seres desprezíveis, que nenhum outro lugar ou pessoa gostaria de ter por perto. Não sabia o que fazer. Entrei ali e fiquei olhando os vitrais: abençoados os que choram, blábláblá... Sou fútil, me agrada mais a salvação fast-food das Igrejas Universais. Elas são atraentes. Era a hora da confissão e dois padres aguardavam em mini-escritórios. Entrei e conversei com um deles sobre as minhas mazelas pessoais. Ele me disse que abençoados os que sofrem.
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