quinta-feira, 15 de abril de 2010

Sobre a fobia

Sapos. Não gosto deles. Isto já faz muito tempo. Acho que é por parecerem humanos. Vocês já olharam nos olhos de um sapo? São olhos dóceis, assustadoramente dóceis. Da mesma forma, eles sempre parecem saber para onde querem ir. São mais racionais que eu. Isto me assusta. Quando era menor, sonhava que estava correndo e um sapo gigante vinha e me atacava. Pulava em cima de mim e me sufocava com o seu abraço. Lembro da sua pele manchada de vários tons de verde e toda enrugada, pedregulhosa. Deus me livre virar pedra. Medo de que um dia a minha pele também fique assim. Que eu vire um sapo e me arraste pelo esgoto, terra e outros cantos escuros. Porra, eu tenho mais medo deles do que de ratos. Sempre imagino que um dia vai surgir um sapo em minha pele. Não vai doer nem nada. E ele vai ficar ali, fazendo o que sapos fazem. Também penso que, no outro dia, outro sapo surgirá. O primeiro seria um macho e o segundo seria uma fêmea. Eles passariam o dia trepando na pele da minha perna, do jeito que os sapos trepam. Essa idéia não me deixa, a carrego sempre comigo. Nasceriam os outros sapos. Minha perna, não sei se a direita ou a esquerda, seria tomada por sapos. Um mais repugnante que o outro. Cada um iria queria fazer uma coisa e eu não teria mais controle da minha perna. Como eles iriam estar sempre trepando do jeito dos sapos, meu corpo todo seria tomado por eles. E isso não iria demorar muito. Uma pele que seria o abrigo de inúmeros sapos... Por outro lado, sei que eles também estariam presos ali. Quem sabe seriam mais uma parte descontente de mim. Um dia, eu seria toda tomada por eles. Todos coaxando loucamente. Leitores, eu também tenho este tipo de pensamento com olhos.

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