Oi,
Neste momento, eu escrevo da praça de alimentação de um shopping classe média de Porto Alegre. Um lugar feio, comum... Podemos defini-lo pelo seu mármore falso. E as pessoas aqui andam e olham para as vitrines sem vida como se fizessem algo grandioso, digno de nota... É gratuito, mas eu não consigo controlar o nojo que a mulher com o cabelo pintado de loiro ou que o garçom sorridente do subúrbio me causam... O garçom me dá ainda mais raiva do que a mulher, porque está escrito nos seus olhos que ele acredita pertencer a este mundo por estar trabalhando nele. Só que ele não vê (ou não quer enxergar) é que, para os freqüentadores deste lugar, quem carrega um avental no peito é menos... Sei que eles são pessoas, devem ter também as suas dores e as suas necessidades... Mas, para mim, a presença deles e de tudo o que está em volta (e o que tudo isto representa) me indigna, me ofende... E o pior é que eu não tenho como sair, por eles dois agora eu vou até o inferno... Estas luzes, os pedidos de livros de auto-ajuda, os sorvetes, o crer que isto é algo valoroso, o deus nosso de cada dia deles, a música irritante e incessante, o arrumar aquilo que nunca ficará arrumado, as metas que visam coisa nenhuma, as tinturas de cabelo, as jaquetas de couro falso, os pedidos de ajuda... As risadas da mesa ao lado me fazem pensar em hienas. Olha, chegou o meu almoço (Promoção – Camarão na moranga, R$ 9,90) e a moranga em que o camarão bóia é de plástico. A mulher que me traz o prato parece bastante cansada, ela deve estar de pé faz horas... E a minha vida não mudou nada por causa deste prato arrumado. Infelizmente, eu ainda preciso deste emprego, eu ainda estou neste lugar. Sim, eu sei que você deve estar pensando que esta carta é a longa reclamação de uma garotinha fútil, mas estas são as minhas grades e elas me fazem sofrer. Não nego que o garçom seja melhor do que eu, mas isto aqui é o que estou sentindo e eu preciso escrever por que esta é a minha válvula de escape... Na verdade, não é nem um décimo do que eu queria dizer... Eu necessitaria de mais de um milhão de páginas e de um milhão de vidas para poder te explicar o que eu gostaria e de como eu vejo tudo. Mas temos que nos conformar, você nunca terá os meus olhos e eu nunca terei os teus... Sabe, eu sei que sou egocêntrica. Mas como posso querer compreender o mundo se eu não me conheço direito? Sabe, me disseram que a resposta está em mim... Mas eu não pude dizer para a pessoa que me deu este segredo que eu sou analfabeta. Bom, eu tenho que ir cuidar da minha vida agora e te desejo felicidade... Ou uma capacidade de auto-leitura maior que a minha...
M., Porto Alegre, 02/08/2010
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Querida...
ResponderExcluirvc tem a capacidade de se expressar de forma intensa...
li seu texto e pude enquadra-lo em situações q volta e meia estou vivendo...
volto a ressaltar a forma q se expressa,
e, finalizo dizendo o seguinte:
Assim como o caráter dos grandes talentos é fazer entender grandes coisas em poucas palavras, o espírito pobre, pelo contrário, pode
falar muito, q não dirá nada...
parabéns!!!
Nossa. .-.
ResponderExcluirParabéns :D
Muito bem escrito...
ResponderExcluirA foto meio nojenta HAEHAEHAEAHE
Vale a pena ler ;D
www.ahistoriacomoelafoi.zip.net
a vida sempre e o melhor tema a escrever...o cotidiano..ver outras pessoas oke fazem...smepre e uma boa escrita....muito legal seu texto...
ResponderExcluirNa verdade eu acabei pensando o que a leva a pensar desta maneira, acho que você deve se sentir superior a outras pessoas e não consegue se enquadrar no mundo por ser melhor até que o próprio mundo.
ResponderExcluirQuando você começar a gostar mais das pessoas, ser mais humana, e espero que isto aconteça, você parará de pensar desta forma. sim, fútil.
abraço!!
www.bloginoportuno.blogspot.com
Bons Ventos!!
Nunca penso nas pessoas como personagens. Aquele garçon ali, aquela moça lá...eles podem ter algo que vc reconheça em vc e por isso odeia tanto...
ResponderExcluirMuito legal seu blog, parabéns ! =D
ResponderExcluirwww.gabrieltododia.blogspot.com