Era uma vez um cara.
Ele não tinha uma alma.
Ela o abandonara,
assim como a sua mãe o fizera...
E ele não tinha mais olhos,
apenas dois buracos negros enfeitavam a sua cara...
Ele queria uma alma.
Uma mulher.
Olhos.
Uma vida.
Mas só o que ele conseguiu foram ovos.
OVOS OVOS OVOS OVOS OVOS OVOS OVOS OVOS OVOS
E o desespero não tinha fim.
Então ele juntou dinheiro,
comprou uma arma
e ele achou que sangue preencheria o vazio...
Então ele saiu e atirou.
Buscou o sangue mais bonito e se cobriu dele.
Só que de nada adiantou tentar capturar a vida.
Pois ela continuava a rir dele.
E a mediocridade, o vazio, o cabelo ruim e o cheiro podre que não iam embora...
Logo chegou a morte, a polícia, a TV...
Então ele terminou o processo que iniciara quando ele nasceu.
Agora o que há são apenas os seus restos, os seus ossos, os vermes percorrendo os seus buracos...
Os vermes não irão lhe deixar...
A indigência é uma brincadeira sádica de um deus menino
terça-feira, 16 de agosto de 2011
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Colisão de corações
Havia um céu de algodão sujo que abafava o ruído dos carros, dos passos, das falas...
Havia...
Havia nós, um emaranhado de nós...
Havia?!
Quando?
Ontem, hoje e sempre...
Sempre?! Existe o pra sempre?!
Pra sempre existe sempre até a próxima esquina...
Até o próximo suspiro...
Havia...
Havia nós, um emaranhado de nós...
Havia?!
Quando?
Ontem, hoje e sempre...
Sempre?! Existe o pra sempre?!
Pra sempre existe sempre até a próxima esquina...
Até o próximo suspiro...
quinta-feira, 28 de julho de 2011
sala nua
Nós,
no meio da sala nua.
Por mais que quiséssemos,
não podíamos parar o barulho que nos procurava...
Ensurdecedor...
Era nossa sina...
Fomos engolidos pelo grito,
aleatório,
no meio da escuridão...
..........................................
Pelo menos, ainda temos um ao outro.
no meio da sala nua.
Por mais que quiséssemos,
não podíamos parar o barulho que nos procurava...
Ensurdecedor...
Era nossa sina...
Fomos engolidos pelo grito,
aleatório,
no meio da escuridão...
..........................................
Pelo menos, ainda temos um ao outro.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
O ETERNO RETORNO OU SOBRE LAURA PALMER
Fogo sujo e negro entre as entranhas
Escuridão sempre vence a luz?!
Luz, lunática luz hospitalar (agulhas quebrando, sangue que espirra),
Que faz crescer a vontade de morrer
A vontade de matar.
O desejo de destruir,
Para ver tudo renascer.
De novo.
Escuridão sempre vence a luz?!
Luz, lunática luz hospitalar (agulhas quebrando, sangue que espirra),
Que faz crescer a vontade de morrer
A vontade de matar.
O desejo de destruir,
Para ver tudo renascer.
De novo.
domingo, 10 de julho de 2011
nós
Eu continuo aqui, correndo de mim...
De ti...
Mas no fim, só existe o(s) nós...
Nós e o nosso resultado...
Então vai lá... Me espera, dessa vez é tu que esquenta a cama...
Não sei o que vai ocorrer amanhã...
Só sei que,
hoje,
eu irei me afogar no negrume da tua cabeça...
De ti...
Mas no fim, só existe o(s) nós...
Nós e o nosso resultado...
Então vai lá... Me espera, dessa vez é tu que esquenta a cama...
Não sei o que vai ocorrer amanhã...
Só sei que,
hoje,
eu irei me afogar no negrume da tua cabeça...
sexta-feira, 8 de julho de 2011
causos da livraria
no shopping. entra uma senhorinha e um galalau da minha altura na livraria.
eles pedem um livro. que não tem.
ele quer encomendar. a senhorinha, que é bisavó do rapaz, fala:
- mas mano, eu posso ir no centro buscar o livro pra ti. eu vou na livraria "o globo".
eu respondo:
- minha senhora o globo fechou.
- o que?
- fechou.
- mas é a maior livraria de porto alegre, não pode...
- é senhora, faliu, agora ali é uma loja de sapatos.
- mas, mas..
vai embora o bisneto e a senhorinha. ela que achava que já tinha visto tudo o que tinha para ver, descobre que ainda pode ficar surpresa...
eles pedem um livro. que não tem.
ele quer encomendar. a senhorinha, que é bisavó do rapaz, fala:
- mas mano, eu posso ir no centro buscar o livro pra ti. eu vou na livraria "o globo".
eu respondo:
- minha senhora o globo fechou.
- o que?
- fechou.
- mas é a maior livraria de porto alegre, não pode...
- é senhora, faliu, agora ali é uma loja de sapatos.
- mas, mas..
vai embora o bisneto e a senhorinha. ela que achava que já tinha visto tudo o que tinha para ver, descobre que ainda pode ficar surpresa...
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Dor
Hoje,
sete de abril de 2011,
crianças morreram.
Que aterrador, ver pela televisão, o desespero roubar o lugar da balbúrdia escolar.
Mas é mais triste ainda pensar nas mães daquelas crianças mortas.
Pois, para elas, o que antes era alegria, mudanças hormonais, mochilas desarrumadas, copos de Nescau espalhados pela casa...
Agora é simplesmente solidão. E dor.
E nada ou ninguém poderá fazer nada por elas...
sete de abril de 2011,
crianças morreram.
Que aterrador, ver pela televisão, o desespero roubar o lugar da balbúrdia escolar.
Mas é mais triste ainda pensar nas mães daquelas crianças mortas.
Pois, para elas, o que antes era alegria, mudanças hormonais, mochilas desarrumadas, copos de Nescau espalhados pela casa...
Agora é simplesmente solidão. E dor.
E nada ou ninguém poderá fazer nada por elas...
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