terça-feira, 16 de agosto de 2011

Balada triste

Era uma vez um cara.

Ele não tinha uma alma.

Ela o abandonara,

assim como a sua mãe o fizera...

E ele não tinha mais olhos,

apenas dois buracos negros enfeitavam a sua cara...

Ele queria uma alma.

Uma mulher.

Olhos.

Uma vida.

Mas só o que ele conseguiu foram ovos.

OVOS OVOS OVOS OVOS OVOS OVOS OVOS OVOS OVOS

E o desespero não tinha fim.

Então ele juntou dinheiro,

comprou uma arma

e ele achou que sangue preencheria o vazio...

Então ele saiu e atirou.

Buscou o sangue mais bonito e se cobriu dele.

Só que de nada adiantou tentar capturar a vida.

Pois ela continuava a rir dele.

E a mediocridade, o vazio, o cabelo ruim e o cheiro podre que não iam embora...

Logo chegou a morte, a polícia, a TV...

Então ele terminou o processo que iniciara quando ele nasceu.

Agora o que há são apenas os seus restos, os seus ossos, os vermes percorrendo os seus buracos...

Os vermes não irão lhe deixar...

A indigência é uma brincadeira sádica de um deus menino

5 comentários:

  1. Me lembrou muito Lord Byron, esse seu poema. Visceral até dizer chega. Muito bom mesmo!
    Adorei o final:

    "A indigência é uma brincadeira sádica de um deus menino"

    Continue assim! Bjs

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  2. muitooo legal seu blog
    parabens mesmo
    ^^

    http://ministerioartecomdeus.blogspot.com/

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  3. Fiquei pensando no cara que atirou
    naquelas crianças no Rio. Muito
    intensa esta poesia. São bem verdades,
    as palavras.

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  4. Diferente de tudo que eu já li, gostei!

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